ESTUDO DE CASO - Chaca 2006

Todas as expedições começam de uma de duas formas: ou um relatório em primeira mão de um Cavaleiro amigo, ou através do escrutínio de jornais, informação e boatos locais.

Olivier foi o primeiro a descobrir sinais de actividade, vasculhando notícias online do Chile. Vários agricultores de Chaca, com culturas nas imediações do Deserto de Atacama, tinham relatado gado desaparecido. Algumas semanas depois de começarem estes desaparecimentos, foram descobertas por um condutor várias carcaças e o incidente apanhou a atenção dos media. O artigo atribuiu a culpa a uma espécie de gato grande, mas as fotografias publicadas com a história sugeriam um predador muito diferente.

Começámos a caça aos sinais, procurando na Internet e em jornais locais, que pedimos pelo correio. Não havia nada, até que o Manu descobriu alguns relatos de expedições de observações de pássaros efectuadas na área, as quais revelavam a falta do ingrediente essencial - os pássaros. Depois, quase três semanas depois da descoberta de Olivier, uma pequena notícia de um jornal local confirmou que os apuros dos agricultores persistiam. Nesta altura, decidimos ver pessoalmente.

Se havia um dragão na zona, podem apostar que estaria barricado algures nas zonas rochosas entre as comunidades agrárias e o deserto. Como o Deserto de Atacama atinge temperaturas diurnas entre os 0°C e 25°C, ninguém queria passar frio. Com roupas adequadas, em adição ao equipamento normal, mapas e livros-guia, nós os três apanhámos um voo para Arica.

No Chile, começava a parte difícil da tarefa. Demorou mais dez dias a juntar as peças dos encontros em 1º grau com os agricultores e designar uma área a reconhecer. Foi então que descobrimos o filão: uma senhora idosa de Chaca disse-nos que na sua infância ocorriam desaparecimentos semelhantes e descreveu ter visto um lagarto de fogo nas colinas atrás da quinta do seu tio.

Carregado o nosso jipe alugado, decidimos iniciar aí a nossa busca. O nosso plano era estacionar em quintas diferentes em cada dia e partir a pé para as colinas rochosas.

No terceiro dia, a nossa sorte dividiu-se. Encontrámo-lo, mas ele também nos encontrou e, como podem ver, não estava contente.

Que correu mal? Podíamos ter feito mais alguma coisa? Nem por isso. Depois de várias semanas de pesquisa e preparação, às vezes os melhores planos não correm bem.

Talvez para a próxima...



Por Éric